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  Guia de iniciantes em poker e poker online

Entrevista enviada em 6/7/2010

De craque nas pistas a craque nos panos.

SuperPoker: Antes do poker você começou a tentar a carreira como piloto. Conte pra gente um pouco sobre esse período.

Marco Salsicha: Bom, quando eu tinha 15 anos, um pouco tarde até para a profissão, um amigo do meu pai (Nando) de Goiânia nos convidou para irmos à Salvador assistir um campeonato Brasileiro de Kart, em que o filho dele (Thiago Jayme) iria participar. Como meu pai já estava querendo fazer uma viagem, acabamos lá, logo no primeiro dia de treino. Como tinhamos acesso aos boxes e tudo mais, já fiquei fascinado pelo esporte, nunca imaginava a velocidade que um kart profissional atingia e muito menos todo aquele "circo" que existia em sua volta. Assim o Nando observando o tamanho do meu interesse me convidou a passar 10 dias em Goiânia para andar no kart encostado que o filho dele tinha, um que não era mais usado. Assim sendo e aproveitando o embaraçamento de meu pai negar perante ao amigo, eu aceitei o convite na hora....risos

Terminado o Brasileiro, que tem a duração de 1 semana, voltei pra SP e já na mesma semana fui até Interlagos com um tio meu, que também é fascinado por automobilismo, comprar macacão, luvas, sapatilhas, capacete, etc. Na outra semana estava eu embarcando sozinho pra Goiânia já todo ansioso. No terceiro dia na cidade fui pela primeira vez até o kartódromo, cheguei lá, comecei a receber instruções do chefe da equipe do Thiago, que tinha montado o kart antigo com tudo encostado (motor, pneus, chassi, etc), sentei no kart para acertar a posição do banco e um pouco antes do almoço já estava eu lá dando as primeiras aceleradas em um kart, em um calor absurdo de Goiânia. Nos 3 primeiros dias de treino estava pegando a mão da coisa e junto disso bolhas gigantes na mão...hahaha

Passei assim os 10 dias treinando forte, o dia todo, até que no fim desses dias já estava fazendo voltas com o tempo próximo a categoria "Novatos", essa que seria da minha idade pra iniciantes. Foi então que o Nando colocou na cabeça do meu pai para eu correr a próxima etapa do campeonato goiano, que seria no mesmo mês, então adiei a passagem de volta e meu pai e minha mãe compraram a passagem para irem ver a corrida. Na semana da corrida colocaram uns pneus mais novos e um motor mais novo e já estava eu fazendo tempo dos primeiros da categoria.....e logo em minha primeira corrida fiz a Pole Position para a largada. Mas que essa alegria durou até a segunda curva da corrida, onde eu e o segundo colocado batemos provocando um acidente de mais 6 karts que vinham atrás....hahaha...foi kart rodando e batendo pra todo lado. Mas a partir daí meu pai e o Nando gostaram de minha performance e logo depois compramos um kart e corremos mais umas 3 etapas do goiano e as 2 últimas do paulista....diferente de Goiâna, o nível do paulista era muito superior, pois os melhores do Brasil inteiro vinham pra SP disputar o Paulista. Enquanto no Goiano tinha 12 karts no grid, no pPaulista tinha sempre próximo a 33 karts, e claro que foi uma lástima essas duas etapas, eu sempre ali nas últimas filas, mas normal para um iniciante em SP.....Então logo vieram as férias, quando fiquei dois meses inteiros treinando forte para iniciar o campeonato paulista do ano de 1997.....foi ai que já comecei a aparecer um pouco nas 10 primeiras posições....mas a grande surpresa foi no meu primeiro campeonato brasileiro que foi em Itú, em que fiz a Pole Position do campeonato brasileiro...uma alegria extrema (pois tratava-se de estar sendo o piloto mais rápido do Brasil na categoria Novatos), o final do campeonato foi um nono lugar devido ao meu kart quebrar em uma das corridas, e assim fui me aprimorando e tendo meu espaço no kartismo brasileiro. Logo no ano seguinte (98), já na categoria Graduados B, fui novamente Pole Position no Brasileiro disputado em Fortaleza...aí todas as portas se abriram pra mim no kartismo e tive a oportunidade de correr ao lado de grandes pilotos que hoje estão no cenário mundial como Felipe Massa, Lucas Di Grassi, Thiago Camilo, Alan Kodhair, Cristiano Rocha, Bia Figueredo, Augusto Junior, Robert Streit, Danilo Dirani, e um falecido, que pra mim era o melhor no kart, que se chamava Pedro Henrique Araújo.

Mas logo após o kart em 2001 subi para a categoria Fórmula Ford (categoria hoje extinta de monopostos) em que fiz duas corridas, tendo bons resultados (6º e 5º), mas ao mesmo tempo perdi um dos meus maiores patrocinadores, que era a Perdigão, devido a brigas internas da empresa e tive que abandonar a categoria pois os custos eram muito altos. Assim desmotivado a voltar pro kart, já que ali eu não gastava muito pois tinha apoio dos fabricantes, resolvi parar e dar um gás na faculdade.

SuperPoker: Além de correr de carros, o que fazia antes de se dedicar ao poker?

Marco Salsicha: Eu sempre gostava de ir pra praia e junto ao kart eu sempre surfei também, nas folgas dos treinos de kart sempre estava na praia atrás de ondas. Podem perceber que empenho na faculdade nunca tive...risos

SuperPoker: E o poker, quando apareceu na sua vida?

Marco Salsicha: O poker surgiu para mim na faculdade. Como nunca me empenhei muito na faculdade, até por causa das faltas devido as viagens pelo Brasil correndo de kart e aos treinos, eu estava com muitas DPs no meu curso de Engenharia Eletrônica que cursava no Mackenzie, com isso tinha muitos conflitos de horários nas matérias então tinha dias que tinha janelas de 3 ou 4h sem aula. Ai então sempre tinha a turma que ficava no diretório acadêmico jogando truco, sinuca, etc. Foi quando um amigo chamado Ricardo, seu nick no online é "Dadomb" começou a ensinar a galera a jogar o Texas Holdem ali no diretório. Em poucos meses já era a febre no diretório.....todo dia uma galera jogando poker sempre valores de R$5,00 no máximo R$10,00, até que fizemos um campeonato na casa de um amigo de R$50,00, e depois desse campeonato eu e o Ricardo decidimos ir em uma Etapa do CPTH 2006, que foi em Campinas, o local era um campo de várzea, tudo pra mim e pro Ricardo uma novidade, então no início da etapa já vimos o pessoal da organização (Léo Belo, Brasa, Federal, Akkari) anunciar no microfone o resultado do Erick Mifune, que tinha sido o primeiro brasileiro a pegar ITM no WSOP. Nessa etapa cai em torno de 30º, fora do ITM, mas fiquei ali até o final do torneio acompanhando...foi muito legal, pois notei a amizade que a galera já tinha, o que me motivou ainda mais ir na próxima etapa que era em SP.

Foi então que na outra etapa no Paradise em SP fui 1 antes da Bolha do ITM.....fiquei louco com isso...risos...e a partir daí comecei a estudar um pouco o jogo na internet, assistir o WSOP na ESPN e conversar mais sobre o jogo com o Ricardo que já estava lendo livros de poker e já entendia mais sobre a teoria do jogo.

SuperPoker: Quando foi que você percebeu que iria ser um profissional do poker e o que o levou a escolher esse caminho?

Marco Salsicha: Pegando gosto pelo poker comecei a frequentar o Paradise e a jogar seus torneios diários de R$50,00 e R$30+R que tinham na época, foi aí que comecei a ter resultados, pois estava estudando o jogo e também tinha feito algumas amizades que sempre vinham me ajudando a melhorar, esses foram o José Irineu, MGP, Neno e o próprio Ricardo. Foi aí que não conseguia mais parar de jogar, pois já estava sempre sendo ganhador e cada vez mais percebendo uma evolução, foi ai também que comecei muitas vezes a brigar com a namorada, pois ela já estava tendo que dividir meu horário vago da faculdade com o poker....risos

Logo em seguida  descobrimos um site que você se registrava e abria a conta no Party Poker e ganhava U$50 (não me lembro o nome do site). Aí desses doláres cravei um torneio de U$6 que ganhei 720 doláres, desses doláres passei U$300 pro PS e ganhei mais um $11+R da manhã. A partir daí vi que estava tudo fluindo pra não parar, e hoje cá estou no poker e o Ricardo que amava o poker hoje é um grande engenheiro, e tem o poker como hobbie.

Então percebi que estava ganhando mais no poker do que no estágio e larguei o estágio. Logo em seguida também havia terminado o namoro e me empenhei 100% no poker. Depois foi a  faculdade que abandonei também, no ano que fui pra Las Vegas na época do WSOP, com tudo que tinha juntado do poker. Foi então que pulei de vez pra ser profissional de poker.

SuperPoker: Você também é praticante do surf. Seria capaz de traçar algum paralelo entre esse esporte e o poker?
 
Marco Salsicha: Tanto o surf, como o poker e também o automobilismo, são esportes que dependem basicamente de você, esporte indivídual, em que ou você se esforça ao máximo ou não vai chegar em lugar nenhum, claro que os três tem alguns outros fatores, como a condição da onda e de sua prancha, no automobilismo do seu equipamento que não pode falhar, assim também como no poker naquelas situações de coin flip em que você depende do baralho......mas nos três esportes, no meio da competição, as coisas dependem principalmente de você.

E por esse motivo também que estou a um bom tempo sem molhar minha prancha no mar...risos...sempre com o meu tempo voltado pro poker, agora que estou de mudança pra morar em SC pretendo voltar a praticar mais o surf que sempre adorei.
 
SuperPoker: Hoje você se encontra entre os primeiros colocados no Ranking Brasileiro e também no mundial do Full Tilt Poker, segundo o Official Poker Rankings. Considera 2010 o melhor ano de sua carreira até hoje?
 
Marco Salsicha: Com certeza 2010 é o ano em que mais sinto confiança em meu game, me sinto mais preparado para ter grandes resultados, e foi também o ano que passei a me dedicar mais no online, pois antes me dedicava mais ao cash game live, mas como sempre fui muito competitivo acho que torneios me agradam mais que o cash game.
   
SuperPoker: Aliás, qual(is) o(s) fator(es) que considera como responsáveis pela sua evolução em termos de resultados de um ano para cá, como podemos ver pelos pela diferença de sua posição no ranking em 2009 (63º) e 2010 (5º)?

 
Marco Salsicha: Como eu disse, em 2010 que passei a jogar mais torneios online, o que me fez aparecer entre os primeiros no ranking de 2010, mas devo muito minha evolução no jogo aos amigos que sempre estamos discutimos jogadas e evoluimos muito como Ariel Bahia, Stetson, Foster, Decano, Deu_Zebra, Omar Abede, Vini Teles, Will Arruda muitas horas em skype também com o Bruno GT, Beto Cajú, Mestre Filipe, Mojave, enfim, o bom do brasileiro é essa união que sempre nos ajuda muito a evoluir.

E também devo muito a viagem aos EUA que fiz com o Decano para jogar dois WPTs, quando abri os olhos pra muitos detalhes que ele me mostrou serem importantes pro longo prazo.
 
SuperPoker: Conte pra gente o momento mais marcante de sua carreira até hoje.
 
Marco Salsicha: Acho que foi quando cravei o Sunday Brawl do Full Tilt Poker, porque vinha de uma fase não tão boa e estava precisando dar uma alavancada no Bank Roll.
 
SuperPoker: Quais são seus planos e metas como jogador daqui pra frente? Ou melhor, qual o seu maior objetivo com o poker?
 
Marco Salsicha: Claro que como todo profissional de poker é conquistar um grande torneio LIVE, não que não queira ganhar um sunday million....risos.....mas todos nós sonhamos em fazer como o grande Alê Gomes e ganhar um bracelete de WSOP ou WPT. E no ano de 2011 irei com tudo nessa busca.
 
SuperPoker: Como é a sua rotina como jogador?
 
Marco Salsicha: A rotina de um profissional de poker não é fácil como parece, todos temos as bad runs, e um dos fatores que mais temos problema é o grande tempo que o grind em torneios nos toma, passo horas e horas em frente um computador, em que você tem que almoçar e jantar com o laptop em sua frente, ir ao banheiro com o laptop (risos), realmente é muito desgastante quando se está atrás de bons resultados e por um espaço entre os melhores.

Mas por isso que escolhi o poker como profissão, porque amo o jogo e como toda profissão é preciso se empenhar e abrir mão de outros lazeres. Eu mesmo sempre tento me divertir ao máximo quando não estou jogando. O Fábio Deu_Zebra me apelidou de "menino festeiro" porque sempre estou atrás de uma boa balada e de uma festinha pra aliviar a tensão e o stress que o poker nos traz.
 
SuperPoker: Diga, em sua opinião, qual o maior ponto positivo em ser jogador profissional de poker. E o maior ponto negativo?
 
Marco Salsicha: O maior ponto positivo é você não ter que obedecer um patrão ou ter horário certo de chegar ou sair de uma empresa. Claro que temos nossas responsabilidades com horários de torneios que desejamos jogar, mas esses somos nós que decidimos qual jogar.

O maior ponto negativo é ainda no Brasil um certo preconceito que tem quando você diz que vive jogando poker, mas esse está cada vez mais sendo quebrado, graças a todos no Brasil que colaboram com isso.
 
SuperPoker: Por que não foi a WSOP 2010?
 
Marco Salsicha: Como esse ano já tinha viajado para jogar 2 WPTs de buy ins altos, e como estou de mudança pra SC decidi não ir pra Vegas nesse período de WSOP, ganhei o pacote no Full Tilt, mas decidi pegar o valor em T$. Assim vou construir um belo Bank Roll para poder em 2011 ir com tudo nos torneios LIVE. São planos e metas que pretendo conseguir, claro! As vezes pode até demorar mais, mas com empenho acho que tudo dará certo!
 
SuperPoker: É verdade que sua mão favorita é 9hTh? Por que?
 
    Hahaha, isso vem desde que comecei com o poker profissionalmente, pois toda mão que entrava de 9hTh eu me dava bem, e claro que é uma mão muito boa para se jogar em posição. Mas claro que qualquer jogador de poker ama é ver o grande AA em suas mãos.

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 8/7/2010 - Ariel Celestino ArielBahia
Como surfista nao sabe nada. Na pista nao sei. Mas como jogador de poquer, JOGA MUITOOOO!!! VAMO MULEQUEEE!
 
 7/7/2010 - MARCIO GUAZZELLI
Além de boa gente e bom jogador é Palmeirense. Congrats Salsicha
 
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